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Seminário de Defesa em Santa Maria (RS) discute expansão da produção industrial brasileira

Publicado em Quinta, 09 Novembro 2017 16:49 | Última atualização em Sexta, 10 Novembro 2017 14:48

Santa Maria (RS), 09/11/2017 - A terceira edição do Seminário Internacional de Defesa (Seminde), que começou ontem (08), em Santa Maria, região central do estado do Rio Grande do Sul, visa debater assuntos do setor entre empresários, acadêmicos, militares das Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica) e de países vizinhos, e ainda  apresentar novas tecnologias.

Na abertura do evento, promovido pela Agência de Desenvolvimento de Santa Maria (ADESM), o ministro da Defesa, Raul Jungmann, destacou que os interesses do Brasil estão cada vez mais integrados com os interesses globais. "Cada vez mais temos que participar ativamente das decisões que são tomadas nos fóruns multilaterais e da pauta global, sejam elas de meio ambiente, migração, tecnologia, exploração do mar, direitos humanos ou catástrofes naturais”, completou Jungmann.

Fotos: Sgt Manfrim/MD
Na abertura do evento, o ministro da Defesa destacou que os interesses do Brasil são integrados aos interesses globais
Na abertura do evento, o ministro da Defesa destacou que os interesses do Brasil são integrados aos interesses globais

Para o ministro, a Base Industrial de Defesa (BID), considerando a aplicação dual (civil e militar), amplia a capacidade tecnológica, de inovação, pesquisa, transbordando para toda a sociedade brasileira. "Esse é o nosso dilema, contarmos com projetos estratégicos compatíveis com o potencial brasileiro e, sobretudo, com o futuro", argumentou.

Jungmann ainda ressaltou em seu discurso alguma medidas que foram tomadas para incrementar o setor de defesa, como a linha de crédito aberta pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES), para a compra de produtos nacionais. "Com essa linha, temos capacidade de competir internacionalmente. Estamos buscando novos arranjos, com ousadia e persistência para encontrar fórmulas para superar a atual situação econômica e fiscal brasileira", afirmou.

O ministro da Defesa falou sobre  outro exemplo de iniciativa com a participação dos fundos regionais de desenvolvimento do Nordeste e do Centro-Oeste, no financiamento da indústria de defesa, além da revisão do regime tributário diferenciado, com maior segurança jurídica. "Também temos nos empenhado para fazer uma ampla revisão da nossa política de off set. Hoje, participamos do principal cerne onde se toma as decisões de importação e exportação do País, que é a Câmara de Comércio Exterior, onde temos um assento especificamente voltado para a defesa", disse.

Jungmann falou sobre  outro exemplo de iniciativa com a participação dos fundos regionais de desenvolvimento do Nordeste e do Centro-Oeste
Jungmann falou sobre outro exemplo de iniciativa com a participação dos fundos regionais de desenvolvimento do Nordeste e do Centro-Oeste

Jungmann mencionou a promoção de diálogos entre a BID e nações amigas, como, por exemplo, com os Estados Unidos e Portugal, além de retomar o Programa Espacial Brasileiro. "Essas são algumas das medidas que estamos preocupados em fazer: uma revisão de toda a arquitetura de regulamentação da Base Industrial de Defesa. Por isso, considero da maior relevância este evento”, finalizou o ministro.

Ele lembrou da promulgação da Lei nº 13.341, em setembro de 2016, que permitiu com que as ações de promoção e inteligência comercial da BID passassem a integrar ações prioritárias do País.

Em seguida, foi a vez do secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa (MD), Flávio Basílio, fazer a primeira palestra do evento. Com o tema "Perspectivas para a Base Industrial de Defesa do Brasil", o secretário apontou, principalmente, a importância da BID para o desenvolvimento tecnológico. "Normalmente o assunto Defesa é muito associado à despesa. Defesa é um vetor de desenvolvimento para a população brasileira. O que se investe na defesa transborda para a sociedade, reduzindo nossa dependência e aumenta a nossa capacidade produtiva da economia brasileira", disse Basílio.

De acordo com o secretário, a maior capacidade de blindados está em Santa Maria. "Porém, hoje só temos um centro de manutenção. Não temos produção de blindados. Mas, Santa Rosa possui um polo metal-mecânico, com capacidade para desenvolver uma série de peças, inclusive, lagartas que são utilizadas nos blindados. Nosso objetivo é fazer a interação entre esses dois polos, propiciando o desenvolvimento e também a nova aquisição de blindados do Exército, que deverá ocorrer nos próximos 10 anos", comentou.

A expectativa com a realização do III Seminde, que acontece até amanhã (10),  é reunir militares e investidores de diversos países, entre eles Estados Unidos, Uruguai e Angola. Cerca de 300 participantes, entre civis e militares, discutem temas para o desenvolvimento na área de defesa. 

Participaram ainda da abertura do Seminário, o ministro chefe do Gabinete Institucional da Presidência da República, general Sergio Etchegoyen; o chefe do Comando Militar do Sul, general Edson Leal Pujol; o comandante da 3ª Divisão de Exército, general Marcos Antonio Amaro dos Santos; o diretor presidente da ADESM, Ademir José da Costa; o secretário geral do MD, general Joaquim Silva e Luna; o chefe de Logística e Mobilização do MD, almirante Leonardo Puntel; o comandante do Comando Geral de Apoio da Força Aérea Brasileira, brigadeiro João Cury; o comandante do 5º Distrito Naval, almirante Victor Cardoso Gomes; o secretário de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, Cezar Augusto Schirmer (representando o governador do estado); o prefeito em exercício de Santa Maria, Sergio Cechin; a diretora presidente do Santa Maria Tecnoparque, Nilza Zampieri; além de oficiais generais das Forças Armadas, militares de nações amigas, integrantes do MD e das Forças, professores e estudantes.

Centro de Instrução de Blindados do Exército e CAA-Sul

Antes do início do III Seminde, o ministro Raul Jungmann conheceu na terça-feira (08),  em Santa Maria, o Centro de Instrução de Blindados general Walter Pires, do Exército Brasileiro. Considerada a "Capital dos Blindados e da Simulação", a cidade abriga o segundo maior contingente das Forças Armadas, com cerca de 5.600 homens e mulheres e reúne, ainda, qualidades essenciais para o setor de Defesa, a tríplice hélice: academia, instituições públicas e indústria.

Fotos: Sgt Manfrim/MD
Os blindados Guarani fazem parte dos projetos estratégicos do Exército
Os blindados Guarani fazem parte dos projetos estratégicos do Exército

Na oportunidade, o ministro da Defesa assistiu a uma demonstração do Pelotão Mecanizado do 1º Regimento de Carros de Combate (RCC). Coube ao comandante da 3ª Divisão de Exército (DE), general Amaro, fazer uma apresentação da Divisão Encouraçada, que engloba 326 municípios da região central do estado do Rio Grande do Sul e possui 56 organizações militares subordinadas.

No Centro de Blindados, ao falar com a imprensa, Jungmann destacou a importância da 3ª DE no trabalho desenvolvido em Santa Maria. “Aqui nos temos tecnologia de ponta, uma boa base industrial de defesa em toda região e a mais poderosa das nossas unidades tanto blindadas quanto mecanizadas”, disse o ministro.

O ministro teve a oportunidade de conhecer a tecnologia disponíveis nos carros de combate
O ministro teve a oportunidade de conhecer a tecnologia disponíveis nos carros de combate

Hoje (09) pela manhã, o ministro Jungmann visitou o Centro de Adestramento e Avaliação – Sul (CAA-Sul), que, quando estiver totalmente implantado, será uma referência nacional em treinamento de simulações de combate com blindados.

Durante a visita, o ministro da Defesa falou sobre o papel do Centro nas decisões sobre emprego de tropas. “Hoje os blindados tem um alto teor tecnológico, computadores com laser, com GPS. Ter aqui este centro de preparação é decisivo para simular condições de emprego de tropa e de blindados”, afirmou.

No CAA-Sul o ministro da Defesa foi acompanhado por autoridades da Presidência, do MD e das organizações do Exército
No CAA-Sul o ministro da Defesa foi acompanhado por autoridades da Presidência, do MD e das organizações do Exército

O CAA-Sul terá capacidade para realizar simulações viva, construtiva e virtual. A simulação virtual ocorre com computadores e outros equipamentos, que podem estar ligados a telões com sensores. O militar poderá treinar individualmente, por exemplo, simulando tiros em um cenário virtual.

Já a simulação viva acontece no terreno e os militares usam armas e blindados. Porém, em vez de munição, os equipamentos têm laser e emitem sinais de radiofrequência. Nas viaturas e nas fardas, há sensores que captam um tiro do combatente inimigo, por exemplo, sinalizando que aquele militar está fora de combate.

E a simulação construtiva tem o uso de softwares em computadores, que são empregados por militares em função de comando, para treinar a tática e a estratégia do combate.

Por Alexandre Gonzaga

Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa
61 3312-4071

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